Cláudio Jorge/Nei Lopes
Já meio cambaia de tanta batalha
Já meio grisalha de tanto sereno
No colo moreno, escondendo a navalha
Chegou Tia Eulália sondando o terreno
Veio, no calcanha, de Além Paraíba
Dançando uma xiba, arrastando a sandália
Enrolando o xale e a saia pra riba
Separando briga de nego canalha...
Lêlê abre a roda, olalá
Que eu quero ver Tia Eulália dançar
A voz clementina já bastante rouca
É uma coisa louca a sinhá Tia Eulália
Cigarro de palha no canto da boca
Não dorme de touca e nunca se atrapalha
Ela é veterana da Guerra da Itália
Mas inda estraçalha no bolimbolacho
Quando bole em baixo, tá com tudo em riba
Quando cai na xiba, a casa vem abaixo...
Arranjo: Josimar Carneiro
Bandolim: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Bateria, frigideira e marimba: André Boxexa
Percussão (agogô, caxixi, pandeiro,
reco-reco, surdo e tambores): Paulino Dias
Coro: Janaina Azevedo, Lilian Waleska, Valéria Lobão, Carlos Fuchs, Jayme Vignoli e Marcílio Lopes
Delcio Carvalho/Osório Peixoto
Essa maldita cancela
Devia ser derrubada
Faz uma zoeira danada
Quando alguém passa por ela
Entre o curral e a capela
A porta da minha porta
Escancara a boca torta
Grita, berra e se esgoela
E cada vez que gargalha
A cancela no batente
Eu fico de mãos trementes
Meu coração se escangalha
Pensando que ela volta
Minha estrela, meu morrer
Minha razão de viver
Minha dor, minha revolta
Corro sempre, nunca é ela
Geme a bicha no batente
Meu Deus, como passa gente
Nessa maldita cancela
Arranjo: Marcílio Lopes
Clarone: Rui Alvim
Bandola: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Bateria e queixada: André Boxexa
Pandeiro: Paulino Dias
Zé Paulo Becker/Mauro Aguiar
Não nasci no sertão nenhum, “nonada”!
Mesmo assim quero merecer sertão
Se roçado de algodão
Nunca foi da minha alçada
Trago aqui no coração
A saudade da invernada
Sendo assim piso a fulô no pó
Mesmo que seja fulô em pó
Não cresci num verão mortal sem praia
Nem desci com meu matulão na mão
Das morenas do grotão
Nem rocei barra da saia
Mas em mim guardo a visão
De um jagunço na tocaia
Quando então sou carcará sem dó
Mesmo que só carcará em dó
No sertão choveu? Sei, não
Meu sertão sou eu e só
Valei-me, meu João
No tronco do juremá!
Valei-me, meu João
No som do Zé Caxangá!
Valei-me, meu João
Sanfona e forrobodó!
Valei-me, meu João
Sertão não decantará!
Arranjo: Jayme Vignoli
Sax alto: Rui Alvim
Bandola: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Bateria, enxada, ganzá e triângulo: André Boxexa
Assis Valente
Já me disseram que você andou pintando o sete
Andou chupando muita uva
E até de caminhão
Agora anda dizendo que está de apendicite
Vai entrar no canivete, vai fazer operação
Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela?
Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu
Abandonou a batucada lá na Praça Onze
E foi dançar o pirolito lá no Grajaú
Caiu o pano da cuíca em boas condições
Apareceu Branca de Neve com os sete anões
E na pensão da dona Estela foram farrear
Quebra, quebra gabiroba quero ver quebrar
Você no baile dos quarenta deu o que falar
Cantando o seu Caramuru, bota o pajé pra brincar
Tira, não tira o pajé, deixa o pajé farrear
Eu não te dou a chupeta, não adianta chorar
Arranjo: Marcílio Lopes
Clarinete: Rui Alvim
Bandolim: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Pandeiro e reco-reco: André Boxexa
Pereira da Costa/Milton Villela
Teco, teco, teco, teco, teco
Na bola de gude era o meu viver
Quando criança no meio da garotada
Com a sacola do lado
Só jogava pra valer
Não fazia roupas de bonecas nem tão pouco comidinhas
Com as garotas do meu bairro, que era natural
Subia em poste, soltava papagaio
Até meus quatorze anos era este o meu mal
Com a mania de garota folgazã
Em toda parte que eu passava
Encontrava um fã
Quando havia festa na capela do lugar
Era a primeira a ser chamada para ir cantar
Assim vivendo, ouvi meu nome ser falado
Em todo canto, em todo lado
Até por quem nunca me viu
E hoje a minha grande alegria
É cantar com cortesia
Para o povo do Brasil
Arranjo: Marcílio Lopes
Clarinete: Rui Alvim
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão tenor: Marcílio Lopes
Violão: Luiz Flavio Alcofra
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Bateria, caixeta e pandeiro: André Boxexa
Thiago Amud/Pedro Moraes
Canções de menina são
Desejos roubados, vãos
Esforços de tradução
Tristonhos, etéreos
Canções de menina são
Afã e imaginação
Palavra, transmutação
De encantos, minérios
Canções de menina são
Duas diamantinas mãos
Nuas, às retinas são
Cristais de mistérios
Ser mãe, ser praga
Sermão, ser vaga
Prisão, estrada
O breu na luz
Ser, não ser nada
De alguém, de cada
Tombar, crivada
De espada e cruz
Canções de menina são
O fardo da compaixão
Jurar e pedir perdão
A fé e o adultério
Canções de menina são
Lampejo de intuição
Do assombro da gestação
E dos cemitérios
Canções de menina são
Duas diamantinas mãos
Nuas, às retinas são
Ruínas e impérios
Arranjo: Marcílio Lopes
Clarinete: Rui Alvim
Acordeon: Kiko Horta
Bandolim: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Pandeiro: André Boxexa
Thiago Amud
Naquela rua brinquei só
Improvisando lugares
Quem soube do mundo que eu erguia
Entre o muro e a escadaria?
Naquela praça intuí Deus
Amendoeiras tremiam
Foi como um primeiro alumbramento
Quem me adivinhava o pensamento?
Meu bairro, meu onde, meu quando
Calçadas me atravessando pr’além
Às vezes a esquina bifurca
E eu dou noutra Urca
Não mora ninguém
Meu bairro, nem quando, nem onde
Brincando em mim de esconde-esconde
Cadê?
Você é um sonho
Não passa de um sonho
Ou não:
Quem me sonha é você
Naquela casa gritei: “Vó!”
Cigarras desentoavam
Qual o nome disso que me arde?
Como a morte coube numa tarde?
Arranjo: Josimar Carneiro
Clarinete: Rui Alvim
Sax soprano: Henrique Band
Piano: Gabriel Geszti
Contrabaixo acústico: Jorge Oscar
Edu Kneip/Thiago Amud
Vou revirar os cabarés
Vou vasculhar os botequins
Marcar presença nos cafés, sim...
Baixar aos últimos confins
Vagar ao léu, desafiar
a madrugada e seus ardis
Depois querer me embriagar
Pra diluir quem não me quis
Vou farejar nos calçadões
Vou enfrentar policiais
Bater ladeiras, escadões, ai…
Armar quizumba em pleno cais
Fazer furdunço, ameaçar
Mostrar do que que eu sou capaz
Depois querer me aniquilar
pra não perdê-la nunca mais
Vou, de repente, ensandecer
Deitar nos trilhos do metrô
Deixar a fome me comer
Mamar dez litros de Cointreau
Sorver um gole de aguarrás
Jurar que o mundo vai ter fim
Virar manchete nos jornais
Pr’ela querer voltar pra mim
Vou suplicar nos botequins
Vou rastejar nos calçadões
Lamber o chão dos cabarés, vou
Me flagelar em pleno cais
Ajoelhar nos escadões
Vou respeitar policiais
Chorar baixinho nos cafés
Pr’ela querer voltar atrás
Ou, simplesmente, alucinar
Incendiar meu violão
Xingar a cruz, cuspir no altar
Abrir as grades da prisão
Entrar sem roupa no quartel
Pintar a boca de carmim
Comprar um casarão no céu
Pr’ela querer voltar pra mim
Arranjo: Josimar Carneiro
Clarinete: Rui Alvim
Bandolim: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão: Luiz Flavio Alcofra
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Bateria: André Boxexa
Luiz Flavio Alcofra/Lenildo Gomes
Soletro sol
A só contigo
A mágoa míngua e o fel da boca
Doce saliva, antes salobra
Pouca manhã
Quase um só beijo
Alvorecendo quando te vejo
Dunas
Gosto de céu
Canção marinha
De sol a sol
Sonho contigo
E o doce céu da sua boca
Qual água-viva
Molha-me à sombra
Quase manhã
Quando te beijo
Adolescendo
Nosso desejo
Arranjo: Luiz Flavio Alcofra
Clarinete: Rui Alvim
Piano: Carlos Fuchs
Violão: Luiz Flavio Alcofra
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Contrabaixo acústico: Pedro Aune
Bateria: André Boxexa
Edu Kneip/Mauro Aguiar
Seremos tolos sentimentais
Sangrando o sonho nos arranhões
Tendões rompidos, pulmões sem paz
Taquicardias e convulsões
Dois beijos tortos
A alma enxuta
Tua agonia no meu quintal
O céu da boca bebeu demais
O riso assusta... O amor nasceu!
Serão dois crimes
Dois sortilégios
Serão dois gumes da mesma paixão
E o vendaval alcançará
O nosso tédio e a nossa solidão
O infinito rindo então nos brindará tão louco
Afrodisiando o ar como um condicionador
Seguiremos condenados a canções de amor!
A faca e o queijo na nossa mão
Eu de castigo, você de mal
Adormecemos num barracão:
Viramos tema de carnaval!
Seremos tudo
E o que seremos
Talvez, seria
Talvez, será
Será à toa
Se qualquer dia não te encontrar
Arranjo: Jayme Vignoli
Acordeon: Kiko Horta
Bandolim: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão: Luiz Flavio Alcofra
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Percussão (pratos): André Boxexa
Julião Pinheiro/Paulo César Pinheiro
Só quem já sofreu
Quem já chorou
É que aprendeu
Que ao sol se pôr
É que a dor, feito espiã
Arma a tocaia
E vai-se embora de manhã
Quando o sol raia
Mas o segredo contra a dor
É cantar samba de amor
Até o sol raiar
Quem lembrar de alguém
Vai ter também
Vontade de chorar
Mas tem tanto samba pra cantar
Que a tristeza vai se esconder
E a saudade vai se acabar
Arranjo: Jayme Vignoli
Clarinete: Rui Alvim
Bandola: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Bateria: André Boxexa
Percussão (agogô, ganzá, pandeiro, reco-reco, repique-de-anel, surdo e tamborim): Paulino Dias
Coro: Janaina Azevedo, Lilian Waleska, Valéria Lobão, Carlos Fuchs, Jayme Vignoli e Marcílio Lopes
Wilson Moreira/Nei Lopes
Auê, meu Irmão Café! Auê, meu Irmão Café!
Mesmo usados, moídos, pilados, vendidos, trocados
Estamos de pé! Olha nós aí, Meu Irmão Café!
Meu passado é africano, teu passado também é
Nossa cor é tão escura quanto chão de massapé
Amargando igual mistura de cachaça com ferné*
Desde o tempo em que ainda havia cadeirinha e landolé
Fomos nós que demos duro pro país ficar de pé...
Você quente, queima a língua, queima o corpo e queima o pé
Adoçado tem delícias de chamego e cafuné
Requentado, cria caso, faz zoeira e faz banzé
E também é de mezinha de gurufa e candomblé
É por essas semelhanças, que eu te chamo “irmão café”
(*) – Abrasileiramento de fernet, bebida alcoólica amarga
Arranjo: Josimar Carneiro
Clarone: Rui Alvim
Bandola: Marcílio Lopes
Cavaquinho: Jayme Vignoli
Violão 7 cordas: Josimar Carneiro
Tambu e palmas: Paulino Dias
Candongueiro, caxixi e palmas: Thiago da Serrinha
Caxambu, surdo e palmas: Pretinho da Serrinha
Coro: Janaina Azevedo, Lilian Waleska, Valéria Lobão, Carlos Fuchs, Jayme Vignoli e Marcílio Lopes
"Mariana Baltar", lançado pela Biscoito Fino, é o segundo CD da cantora, que hoje enfrenta o desafio de interpretar a produção de jovens compositores da MPB sem abrir mão de reverenciar o passado, regravando músicas escolhidas
a dedo.
Hermínio Bello de Carvalho / Elton Medeiros
Ai, ardido peito
Quem irá entender o teu segredo?
Quem irá pousar em teu destino?
E depois morrer de teu amor?
Ai, mas quem virá?
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada
Vem, meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando meu abrigo
Vem que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que este é o tempo ansiado
De se ter felicidade
violão 7 cordas: Paulão 7 Cordas
violão: Evandro Lima
cavaquinho: Marcio Almeida
flauta: Eduardo Neves
trombone: Roberto Marques
percussão: Fabiano Salek (pandeiro, ganzá, colher e caixeta), Felipe de Angola (surdo), Silvão (repique-de-anel e tamborim), Nelci Pelé (tamborim), Pretinho da Serrinha (cuíca)
coro: Zélia, Ana Costa, Marcelo Miranda e Alfredo Galhões
arranjo: Evandro Lima
Assis Valente
Deixa comigo esse mulato malcriado
E vê como se acaba com a valentia
Não é preciso eu lhe dar pancada, não
Para acabar com a malcriação
Basta que eu fique sem fazer carinho
Para ele de joelhos me pedir perdão
Perdão ai, mulato, mulato, perdão
Bem vês que eu não faço isso por mal
Se eu tenho ciúmes de ti, é bom
E uma zanguinha também é natural
Perdão ai, mulato, mulato, perdão
Se é pretensão o que eu vou te dizer
A mulher sem o homem também tem valor
E o homem sozinho devia morrer
Se você morrer, ai, mulato, que bom
Porque só assim eu irei descansar
Se você morrer, eu também morrerei
Porque sem você eu não posso passar
violão: Evandro Lima
violão 7 cordas: Carlinhos 7 Cordas
cavaquinho e bandolim: Marcio Almeida clarone: Rui Alvim
percussão: Beto Cazes (pandeiro, reco-reco, tamborim e derbak)
arranjo: Alfredo Galhões
João Bosco / Aldir Blanc
A sala cala e o jornal prepara
Quem está na sala
Com pipoca e bala
E o urubú sai voando
Manso
O tempo corre, o suor escorre
Vem alguém de porre e há um corre-corre
E o mocinho chegando
Dando
Eu esqueço sempre nessa hora linda, loura
Minha velha fuga em todo impasse
Eu esqueço sempre nessa hora linda, loura
Quanto me custa dar a outra face
Um tapa estala no balacobaco
E é fala com fala e é bala com bala
E o galã se espalhando
Dando
No rala-rala quando acaba a bala
É faca com faca e é rapa com rapa
E eu me realizando
Bambo
Quando a luz acende é uma tristeza
Trapo, presa
Minha coragem muda em cansaço
Toda fita em série que se preza
Dizem, reza
Acaba sempre no melhor pedaço
violão e guitarra: Gabriel Improta
gaita: Gabriel Grossi
baixo acústico: Zé Luiz Maia
teclados: Alfredo Galhões
bateria: Marcio Bahia
cuíca: Pretinho da Serrinha
arranjo: Alfredo Galhões
Jorge Ben Jor
Angola, Congo, Benguela
Monjolo, Cabinda, Mina
Quiloa, Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há uma princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados em carros de boi
Eu quero ver, eu quero ver, eu quero ver
Angola, Congo, Benguela
Monjolo, Cabinda, Mina
Quiloa, Rebolo
Aqui onde estão os homens
De um lado cana-de-açúcar
Do outro lado, o cafezal
Ao centro, senhores sentados
Vendo a colheita do algodão branco
Sendo colhido por mãos negras
Eu quero ver, eu quero ver, eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
É senhor das demandas
Quando Zumbi chega
É Zumbi é quem manda
Eu quero ver, eu quero ver, eu quero ver
violões: Eugenio Dale
guitarra: Billy Brandão
baixo: Gastão Villeroy
percussão: Marco Lobo (ganzá, congas, reco-reco, prato com ábaco, xequerê, surdo cortado, roncador, cowbell, agogô e sementes)
arranjo: Eugenio Dale
Roque Ferreira / Paulo César Pinheiro
Pra dor de amor, eu não faço sala
Amor me deixa, outro amor me embala
Eu sou um coco que seu ralador não rala
A tristeza quando chega
Se deixar, ela se instala
Se ela vê peito vazio
Quer fazer festa de gala, ê
Mas comigo não tem jeito
Ela nem desfaz a mala
Que um amor quando me deixa, sinhô
Tem outro em ponto de bala
A tristeza a gente sente
Quando o seu chicote estala
Se ela vê sinal de pranto
Lambe o beiço e se regala
Mas meu peito não se curva
À bota, tacão, bengala
Meu amor que é de quilombo (iáiá, kekerê, iê, iê)
Não se prende em dor de senzala
viola caipira: Marcus Ferrer
violão: Evandro Lima / cavaquinho: Marcio Almeida e Cris Cotrim
sopros: Carlos Malta (pífanos e flauta)
percussão: Fabiano Salek (moringa, colher, pandeirão, ralador de coco e cabaça) e Pretinho da Serrinha (reco-reco)
arranjo: Alfredo Galhões
Teresa Cristina / João Callado
Vai, vai seguir o seu caminho
Vai, que eu estou melhor sozinho
Sofri desilusão, mas agora quero paz
Se a dor voltar, eu já sei o que fazer
Pego a viola e faço um samba pra você
O amor partiu, mas a inspiração ficou
E a melodia que eu começo a esquecer
Manhã surgiu, vento veio e me lembrou
E a alegria que esse samba me traz
Quando me esqueço de ti
Finalmente encontro a paz
Meus versos já não falam mais de saudade
O vento soprou a lembrança desse amor que já vai tarde
violão: Evandro Lima
violão 7 cordas: Paulão 7 Cordas
cavaquinho: Marcio Almeida
percussão: Pedro Miranda (pandeiros, tamborim, ganzá e reco-reco) e Pretinho da Serrinha (tamborins, caixa, cuíca e surdo)
coro: Zélia, Ana Costa, Marcelo Miranda e Alfredo Galhões participação especial: Teresa Cristina (artista gentilmente cedida pela Deckdisc)
arranjo: Alfredo Galhões
Horondino Silva (Dino 7 Cordas) / Augusto Mesquita
Sim,
Eu pensei que pudesse te ver sem sofrer
Sem
Perturbar-me, sem nada sentir, sem ceder
Foi pensando em te olhar com desdém
Foi querendo humilhar-te também
Que atendi teu chamado e no fim
Que vergonha que sinto de mim
Eu só vim pra beijar-te outra vez
Pra querer-te com insensatez
Só nasci pra seguir os teus passos
Morrer em teus braços
violão e violão 7 cordas: Paulão 7 Cordas
cavaquinho: Marcio Almeida
acordeom: Kiko Horta
percussão: Beto Cazes (pandeiro e ganzá)
arranjo: Paulão 7 Cordas
Cartola / Osvaldo Vasques
Fita os meus olhos
Vê como eles falam
Vê como reparam
O teu proceder
Não é preciso dizer
Deves compreender
E até mesmo notar
Só no meu olhar
Não abuses por eu te confessar
Que nasceste só para eu te amar
Gosto tanto, tanto de você
Que os meus olhos falam o que não vêem
Ainda há de chegar o dia
Que eu hei de ter grande alegria
Quando você souber compreender
Num olhar o que eu quero dizer
violão 7 cordas: Nando Duarte
violão e cavaquinho: Marcio Almeida
clarinete e clarone: Rui Alvim
percussão: Pretinho da Serrinha (repique-de-anel, tamborim, ganzá e caixeta) e Felipe de Angola (surdo, tan-tan e tamborim)
arranjo: Alfredo Galhões
*Mirabeau e Milton de Oliveira / **Ataulpho Alves / ***Monsueto e Ayrton Amorim
Você roubou meu sossego
Você roubou minha paz
Com você eu vivo a sofrer
Sem você, vou sofrer muito mais
Já não é amor
Já não é paixão
O que eu sinto por você
É obsessão
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais (nunca mais)
Tenha santa paciência
Ponha a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Sai de vez do meu caminho
Dê a outra o seu carinho
Me abandone por favor (ai, que dor!)
Você machucou meu peito
Não tem mais o direito de mandar no meu amor
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Evitar a dor é impossível
Evitar esse amor é muito mais
Você arruinou a minha vida (ora, vai mulher)
Me deixa em paz
acordeom: Kiko Horta
bateria: Marcio Bahia
participação especial: Pedro Miranda (artista gentilmente cedido pela Deckdisc)
convidado de honra: Miltinho
arranjo: Alfredo Galhões
Vander Lee
Nem todo fim tem começo
Nem tudo que é bom tem seu preço
Nem tudo que tenho, mereço
Nem tudo que brota é do chão
Nem todo rei tem seu trono
Nem todo cão tem seu dono
Nem tudo que dorme tem sono
Nem toda regra é exceção
Nem tudo que morre é de fome
Nem tudo que mata se come
Nem tudo que é dor me consome
Nem toda poesia é refrão
Nem toda obra se prima
Nem tudo que é pobre se rima
Nem tudo que é nobre se esgrima
Nem tudo que sobra é lixão
Nem todo carro tem freio
Nem toda partilha é ao meio
Nem toda festa é rodeio
Nem tudo que roda é pião
Nem tudo que fito é o que vejo
Nem tudo bonito, eu almejo
Nem tudo que excita é desejo
Nem todo desejo é tesão
Nem tudo que ganho é o que valho
Nem tudo que jogo é baralho
Nem tudo que cansa é trabalho
Nem tudo que dança é baião
Nem todo deus, comunhão
Nem todo amor, ilusão
Nem toda crença é em vão
Nem todo pecado, perdão
viola caipira: Marcus Ferrer
cavaquinho: Marcio Almeida
acordeom: Kiko Horta
cello: Luiz Zamith
percussão: Beto Cazes (derbak, pandeiro, triângulo e reco-reco de mola) e Pretinho da Serrinha (agogô)
arranjo: Alfredo Galhões
Adryana BB
Pra ser filho respeitador
E de seu amor, merecedor
Tem que achar bonito o que viu
Lá na casa de Dona Biu
Ela tem uma bota de louça
E lençol que bordou quando moça
Tem que achar bonito o que viu
Lá na casa de Dona Biu
E ela bota barraca
Ela tira a barraca
Ela vende confeito
Vende picolé
Pergunte a Zefinha
Ela sabe quem é
A Dona Biu é a mulher de seu Zé
viola caipira: Marcus Ferrer
violão tenor e bandolim: Marcílio Lopes
cavaquinho: Marcio Almeida
baixo: Ivan Machado
percussão: Beto Cazes (derbak, pandeiro, triângulo e reco-reco) e Pretinho da Serrinha (pandeiro e agogô)
arranjo: Alfredo Galhões
Billy Blanco
O baile tava meio esquisito
Tava bonito, só faltava esquentar
Tanta garota sentada sem razão
Tanto marmanjo só pela beirada do salão
Todo mundo naquela de se olhar
Pra conferir quem é de quem na gafieira
Nada do baile começar
Todo mundo parecia estar com ataque de besteira
Aí, foi chegando Barriquinha
Sem dizer de onde vinha
Mostrou para o que veio
Deu de boca no piston, tirou aquele som
Dois minutos o salão estava cheio
E foi assim...
Dançando em paz no chegadinho
Tava um baixinho do nariz enganador
Que a moça alta agarrava numa boa
Motorista com patroa, secretária com seu senador
Mas o topless que não tava no programa
De certa dama emergente aconteceu
Tudo acontece quando apronta um engraçado
No quem foi, no quem não foi
Não foi ninguém e o pau comeu
Aí, quem salvou foi Barriquinha
Que rangava na cozinha e que rapidinho veio
Deu de boca no piston, tirou aquele som
Toda briga do salão parou no meio
Pra escutar...
violão: Bernardo Bosisio
baixo acústico: Rodrigo Villa
piano: Alfredo Galhões
bateria: Oscar Bolão
trompete e fluegelhorn: Newton Rodrigues
arranjo: Alfredo Galhões
Joyce
Quando estou num baile é duro de aguentar
Todo mundo cisma de dançar com o meu par
Tiram ele de mim
E não me deixam em paz
Porque ele aprendeu na zona com as profissionais
E é por isso que ele dança
E dança assim tão bem
Quando cai no samba, então
Não tem pra mais ninguém
Ele é sensual e sabe conduzir
Sabe que uma dama também quer se divertir
Silêncio agora no salão
Que o show vai começar
E o meu par na banda agora assume o seu lugar
Ele é genial
Todo mundo diz
Porque ele aprendeu na orquestra lá do Tabariz
E é por isso que ele toca
E toca assim tão bem
Quando cai no samba, então
Não tem pra mais ninguém
Ritmo infernal, frases tão sutis
O que ele aprendeu na zona é o que me faz feliz
violão: Daniel Santiago
baixo: Zé Luiz Maia
piano: Alfredo Galhões
bateria: Marcio Bahia
sax tenor: Eduardo Neves
trompete: Newton Rodrigues
trombone: Roberto Marques
arranjo: Alfredo Galhões
Marceu Vieira / Tuninho Galante
Seus dedos procuram brinquedos
Pelos meu degredos
Parecem lançar torpedos
Sobre meus segredos a me desbravar
Fazem crispar meus pêlos
É um desespero...
Eu sinto meu cheiro suspenso no ar
Parece que nunca amanhece
E a gente enlouquece nesse dedilhar
Desejos, suaves manejos
Eu busco seu beijo a lhe ofertar
Meus seios como dois arreios pra você montar, bem devagar
Sem freios, seguimos alheios
E num devaneio me ponho a rezar
Na prece, a gente se despe
E eu de joelhos me faço de altar
E quando a chama esvanece
Um cheiro, porém, permanece suspenso no ar
acordeom: Chico Chagas
piano: Alfredo Galhões
arranjo: Alfredo Galhões
O primeiro CD de Mariana Baltar, teve participação ativa da cantora em todas as fases. Desde a escolha das músicas aos últimos detalhes da mixagem. No repertório, sambas de Assis Valente, Cartola, Hermínio Bello de Carvalho, Elton Medeiros e Joyce, além de músicas inéditas



